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WHERE TO EAT: TROPISMO

Abriu no início de Julho. A carta cruza a gastronomia tradicional gaulesa, com a cozinha ética e dietética. 

O Tropismo apresenta-se como um “jardim secreto em Campo de Ourique”, mas é muito mais que isso.

Este restaurante é um projeto de Luca Fievez e Luha Vieira, franceses, que resolveram trazer para Portugal a culinária francesa associada à ética alimentar. Isto significa produtos biológicos e de origem portuguesa, animais criados em liberdade, redução de materiais de desperdício – entre tantas outras coisas que nos deviam preocupar mais quando escolhemos um restaurante.

Foi exactamente a Luha que nos recebeu e que, com toda a paciência do mundo, nos explicou os vários pratos e sabores da Carta. Isto visto não sermos, de todo, entendidos em culinária francesa e termos muita curiosidade a satisfazer.

O ESPAÇO

Quando entramos, a fachada e a sala com o bar não nos deixam de todo adivinhar o que nos espera. Apesar de já sabermos que havia um jardim interior, o impacto ainda se deu quando entrámos numa zona tipo pátio, repleto de plantas. As mesas e as cadeiras desemparelhadas dão aquele ar de que juntámos todos os móveis da casa para recebermos todos os nossos amigos. O ambiente também nos deixa assim, com a sensação de um convívio alegre e confortável mas ao mesmo tempo que é intimista.

Depois de aqui jantarmos fiquei com bastante pena por não termos ido almoçar, porque deve ser lindíssimo durante o dia (e dá de certeza umas fotos maravilhosas). A luz não era a melhor para quem quer fotografar, é um facto.

O ESPAÇO

Para beber, pedimos dois cocktails: Mojito e um Cosmopolitan. Estavam ambos maravilhosos, com destaque para o segundo que adoramos.

Depois começou a parte complicada. Apesar da carta não ser super extensa, a verdade é que tem muitas coisas que chamam à atenção. Apetece provar de tudo! E se não foi isso que fizémos, foi  quase.  Como entradas pedimos, crème brulée de queijo de cabra com alecrim (7€), camarões da costa snackados (8€) e charutos crocantes de pato (8€).

Quando pedimos o crème brulée não sabíamos o que esperar. O que nos foi servido, além de ter uma apresentação linda, era divinal. É um queijo de cabra bastante suave (para o normal destes queijos), aromatizado com alecrim e com uma crosta caramelizada que lhe dá um toque que faz toda a diferença. Dizer que é óptimo é pouco.

Outra entrada que também nos conquistou foram os charutos crocantes de pato caseiro. São definitivamente crocantes por fora, e super tenros e saborosos por dentro, fazendo tudo isto um óptimo “casamento” com o molho de ameixa que os acompanha (este jogo de sabores com o doce quase me fez lembrar os sabores da comida asiática que tanto adoro). Mais uma vez, com uma apresentação daquelas que conquistam à primeira vista.

Outro dilema se aproximava: escolher o prato principal. Optamos pelo Magret de pato com molho de mel e mostarda (16€). Este era um prato que eu já conhecia e tinha altas espetativas. Correspondeu e muito bem, com a carne corada e cozinhada no ponto, molho saboroso e ótimos acompanhamentos – cogumelos e puré de batata doce.

Mas também não conseguimos resistir a provar o Chucrute do mar, que nos foi recomendado pela Luha. É feito com couve fermentada e camarão, peixe, mariscos e molho manteiga branca. Confesso que se com a descrição torci o nariz (nunca tinha provado chucrute e já estava a imaginar um grande molho de couves avinagradas), ao provar mudei completamente de ideias. A couve está lá, mas cortada em pequenos fios que fazem com que o sabor forte não apague os outros sabores do marisco e do peixe – que se notava ser fresco.

Para sobremesa, tarte de maçã (5,5€) e merengue de limão (5,5€). O merengue era uma sobremesa mais “fora da caixa” (fiquei surpreendida de não ser uma tarte merengada) mas a tarte de maçã roubou-lhe facilmente o protagonismo. Contraste perfeito entre a crosta estaladiça e o recheio tenro. Sabia a caseiro e vinha quentinha, com o gelado a derreter em cima – melhor que isto não fica, sejamos sinceros!

OVERALL

Depois deste meu tête-à-tête com a culinária francesa, posso dizer que esta me surpreendeu completamente! E de uma forma mesmo muito agradável. A comida estava maravilhosa, com pratos daqueles que uma pessoa tem de recomendar a alguém. O jardim é lindíssimo e o atendimento traz sem dúvida a última estrela.

Recomendo que vão durante o dia, para almoçar por exemplo, pois o jardim é ainda mais bonito com luz.

Muito obrigada ao Tropismo pelo convite e por nos receber tão bem!

Copyright @Tropismo Lisboa • 2019

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